No Natal, as guloseimas são uma tentação para toda a gente. Quem não gosta dos tradicionais doces natalícios? Mas já parou para pensar quão antigos são estes doces? Chegam a ter séculos de existência!
O Bolo-Rei, por exemplo, um dos símbolos do Natal português, tem as suas origens na civilização romana. Era costume sortear um Rei ou uma Rainha nas festas de Saturno, ritual este que, também, era praticado pelos cristãos durante a festa da Epifania, onde se prestava homenagem aos três Reis Magos. Como os bolos eram confeccionados com favas, os organizadores do evento aproveitavam p
ara coroar o rei da festa, aquele que encontrasse o ingrediente na sua fatia. Na França, por exemplo, a tradição prevalece com a comemoração do “Rei da Fava” ou “Rainha da Fava”. Serve-se o bolo com duas favas escondidas e aquele que a encontrar é declarado o Rei ou Rainha da festa.
No âmbito religioso, as lendas que circundam o doce afirmam que o mesmo simboliza os presentes oferecidos pelos Reis Magos ao Menino Jesus. A côdea personificava o ouro, as frutas secas e cristalizadas afiguravam a mirra, e o aroma do bolo indicava o incenso. Já a explicação para a fava surgiu por conta da disputa para saber qual dos três teria a honra de ser o primeiro a entregar ao menino os presentes que levava.
O bolo chegou a Portugal, na segunda metade do século XIX, através de Baltazar Rodrigues Castanheiro Júnior, fundador da Confeitaria Nacional. Em Lisboa, a receita foi apresentada seguindo a culinária francesa.
Já em Itália, a tradição gastronómica natalícia não estaria completa sem o famoso Panettone, uma espécie de pão doce italiano que é protagonista durante as festas de natal, feito com frutas cristalizadas e uvas passas. Os reis da massa confeccionam dois tipos de panettone, um comprado no supermercado e o artesanal que se adquire nas pastelarias.
São várias as teorias sobre as origens desse pão especial. É possível, por exemplo,
que o panettone tenha sido criado por um ajudante de cozinheiro na corte dos Sforza, com a finalidade de substituir o bolo sumptuoso do chefe, que se havia queimado.
Outra história dá conta que o treinador de falcões de Lodovico o Moor, que se encontrava apaixonado pela filha do padeiro, vendeu alguns falcões que possuía para salvar a padaria do pai do seu amor. Na oportunidade adquiriu os ingredientes do pão para o sogro que confeccionou a sobremesa. Esta fez grande sucesso entre os habitantes de Milão. Outra hipótese é que o panettone tenha surgido pelas mãos de uma freira que aproveitou as sobras de ingredientes que havia na despensa do convento, e fez o bolo.
Uma sobremesa tipicamente francesa é o tronco de Natal que nasceu em Paris, no final do século XIX, nos fornos do historiador e confeiteiro Pierre Lacan. O bolo tem a cor da madeira e é coberto de chocolate ou de creme de café. É uma espécie de enrolado recheado com creme de manteiga e a sua forma assemelha-se à da madeira.
A tradição desse doce francês surgiu na continuidade do costume que as famílias tinham de se reunir diante da chaminé, na véspera de Natal. Com uma decoração de folhas e laços, a lenha era acesa pelo filho m
ais jovem e pelo mais velho. A seguir era benzida pelo chefe da família com óleo, aguardente ou água benta. As cinzas da madeira eram guardadas para proteger a família do diabo no ano seguinte. Com o desaparecimento da tradição da cavaca de Natal, o símbolo dessa época passa a ser o tronco de Natal.
Para Renato Ortiz, sociólogo e antropólogo da Universidade de Campinas (Brasil), a modernidade cultural e a tradição tendem a se integrar de forma peculiar e dinâmica. Esse misto torna-se um tabu para alguns, e daí advêm o facto da reflexão de que a cultura está em estado de transformação na sociedade moderna.
Pelos exemplos apresentados, não é difícil perceber que a forma como os doces são confeccionados varia de país para país. Mas uma coisa é certa, a tradição de Natal continua.
O Bolo-Rei, por exemplo, um dos símbolos do Natal português, tem as suas origens na civilização romana. Era costume sortear um Rei ou uma Rainha nas festas de Saturno, ritual este que, também, era praticado pelos cristãos durante a festa da Epifania, onde se prestava homenagem aos três Reis Magos. Como os bolos eram confeccionados com favas, os organizadores do evento aproveitavam p
ara coroar o rei da festa, aquele que encontrasse o ingrediente na sua fatia. Na França, por exemplo, a tradição prevalece com a comemoração do “Rei da Fava” ou “Rainha da Fava”. Serve-se o bolo com duas favas escondidas e aquele que a encontrar é declarado o Rei ou Rainha da festa.No âmbito religioso, as lendas que circundam o doce afirmam que o mesmo simboliza os presentes oferecidos pelos Reis Magos ao Menino Jesus. A côdea personificava o ouro, as frutas secas e cristalizadas afiguravam a mirra, e o aroma do bolo indicava o incenso. Já a explicação para a fava surgiu por conta da disputa para saber qual dos três teria a honra de ser o primeiro a entregar ao menino os presentes que levava.
O bolo chegou a Portugal, na segunda metade do século XIX, através de Baltazar Rodrigues Castanheiro Júnior, fundador da Confeitaria Nacional. Em Lisboa, a receita foi apresentada seguindo a culinária francesa.
Já em Itália, a tradição gastronómica natalícia não estaria completa sem o famoso Panettone, uma espécie de pão doce italiano que é protagonista durante as festas de natal, feito com frutas cristalizadas e uvas passas. Os reis da massa confeccionam dois tipos de panettone, um comprado no supermercado e o artesanal que se adquire nas pastelarias.
São várias as teorias sobre as origens desse pão especial. É possível, por exemplo,
que o panettone tenha sido criado por um ajudante de cozinheiro na corte dos Sforza, com a finalidade de substituir o bolo sumptuoso do chefe, que se havia queimado.Outra história dá conta que o treinador de falcões de Lodovico o Moor, que se encontrava apaixonado pela filha do padeiro, vendeu alguns falcões que possuía para salvar a padaria do pai do seu amor. Na oportunidade adquiriu os ingredientes do pão para o sogro que confeccionou a sobremesa. Esta fez grande sucesso entre os habitantes de Milão. Outra hipótese é que o panettone tenha surgido pelas mãos de uma freira que aproveitou as sobras de ingredientes que havia na despensa do convento, e fez o bolo.
Uma sobremesa tipicamente francesa é o tronco de Natal que nasceu em Paris, no final do século XIX, nos fornos do historiador e confeiteiro Pierre Lacan. O bolo tem a cor da madeira e é coberto de chocolate ou de creme de café. É uma espécie de enrolado recheado com creme de manteiga e a sua forma assemelha-se à da madeira.
A tradição desse doce francês surgiu na continuidade do costume que as famílias tinham de se reunir diante da chaminé, na véspera de Natal. Com uma decoração de folhas e laços, a lenha era acesa pelo filho m
ais jovem e pelo mais velho. A seguir era benzida pelo chefe da família com óleo, aguardente ou água benta. As cinzas da madeira eram guardadas para proteger a família do diabo no ano seguinte. Com o desaparecimento da tradição da cavaca de Natal, o símbolo dessa época passa a ser o tronco de Natal.Para Renato Ortiz, sociólogo e antropólogo da Universidade de Campinas (Brasil), a modernidade cultural e a tradição tendem a se integrar de forma peculiar e dinâmica. Esse misto torna-se um tabu para alguns, e daí advêm o facto da reflexão de que a cultura está em estado de transformação na sociedade moderna.
Pelos exemplos apresentados, não é difícil perceber que a forma como os doces são confeccionados varia de país para país. Mas uma coisa é certa, a tradição de Natal continua.
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